
Brasileiro chega a uma lanchonete de Buenos Aires e dispara:
"Por fabor, me bê una Cueca-Cuela?".
Quando se fala no portunhol, é numa cena assim que todo mundo pensa.
Mas eis que agora surge um "movimento literário" que é contra essa versão "turística" da mescla entre o português e o espanhol - geralmente carregada de espírito de porco, preconceito e certa ignorância.
Trata-se de um grupo de escritores do Brasil, do Paraguai e da Argentina, que lançou uma espécie de manifesto em defesa do "portunhol salbaje".
A idéia é promover experimentações literárias a partir da linguagem oral da fronteira entre o Brasil e o Paraguai e da mistura da linguagem urbana com a tradição nordestina, influenciada pelo romanceiro luso-espanhol da Idade Média.
Diegues explica o idioma que ajudou a criar:
"U portunhol salbaje es la língua falada en la frontera du Brasil com u Paraguai por la gente simples. Es la lengua de las putas que de noite vendem seus sexos en la linha de la fronteira. Es una lengua bizarra, transfronteriza, rupestre, feia, bella, diferente".
Depois do elogiado "Dá Gusto Andar Desnudo por Estas Selvas - Sonetos Salvajes" (Travessa dos Editores), lançado em 2003, Diegues se instalou no país vizinho para pesquisar a linguagem oral dos habitantes da fronteira e lançar seus livros caseiros, editados com capas de papelão. O escritor também traduz textos de prosa e poesia do português e de outras línguas para o portunhol.
Para Joca Reiners Terrón, o portunhol selvagem é interessante enquanto permanecer informal.
"Acho absurdo querer fixar, pois não há padronização possível", diz.
Diegues concorda.
"La gramatificacione servirá para matar los deslimites de la liberdade di lenguaje. Lo mais importante es non fixar nim museificar, mas deixá-lo errante caubói rollingstones, epifania sem nome 3 kilômetros por segundo al rededor del sol entre Sampi y Paraguay y el resto de la Gluebolândia."
Colaboração professor Luis Gutierrez
Fonte: Jornal Folha de São Paulo/ Ilustrada- 28/ 11/ 2007.

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